Beer,  Cerveja

Batom Vermelho: A presença feminina no meio cervejeiro.

Foto: Ângelo Nunes

Ano passado tive o prazer de escrever para o blog da Cervejaria Smania. Compartilho com vocês minha experiência nesse evento marcante da mulher cervejeira no Brasil.

O décimo mês do ano é conhecido no Brasil como Outubro Rosa, que destaca a prevenção ao câncer de mama. Para reforçar a importância do autoexame e ainda colaborar com instituições de apoio às pessoas acometidas da doença, um grande grupo de mulheres trabalharam nos dois meses anteriores para o lançamento de uma cerveja temática. A ideia era mostrar a forte participação feminina no meio cervejeiro, apresentar ao público em geral o primeiro estilo genuinamente brasileiro da bebida e, o mais importante: arrecadar doações para as instituições que trabalham no tratamento e combate ao câncer de mama.

Em outubro passado tive o privilégio de conferir um dos lançamentos da cerveja Batom Vermelho, no charmoso espaço da cervejaria Ekaut, na cidade de Recife. O estilo da bebida é o Catharina Sour, de perfil ácido, leve e refrescante. A Batom teve adição de hibisco e maracujá à receita e está a venda nos principais taproons e lojas especializadas.  

A idealizadora Nadhine França, da confraria Maria Bonita Beer, se encarregou de criar a receita e, com o apoio da cervejaria Dádiva, elaborar a bebida com outras mulheres. Nadhine também tomou a frente da mobilização para que o lançamento acontecesse em diversas cidades do país. Fizeram parte desse lindo projeto cerca de 470 mulheres, representando as seguintes confrarias e­ coletivos femininos cervejeiros:  

Amazonas Cervejeiras – Manaus (AM)

Batom Malte – Macapá (AP)

Beba como uma Garota – Juiz de Fora (MG)

Capixabeer – Vitória (ES)

Cervejeiras Cariocas – Rio de Janeiro (RJ)

Ceva das Minas – Porto Alegre (RS)

Confece – Belo Horizonte (MG)

Confradelas – Fortaleza (CE)

Confraria Cervejeira Mulheres do Malte – Rio de Janeiro (RJ)

Däs Könfrädessäs – Brasília (DF)

ELA – Vários estados

Fulô de Mandacaru – João Pessoa (PB)

Lupulindas – Belém (PA)

Maria Bonita Beer – Recife (PE)

Minas Cervejeiras – Belo Horizonte (MG)

MovCeu – Uberlândia (SP)

Ordem das Cervejeiras – Florianópolis (SC)

Puro is Malte – Petrolina (PE)

The Queens – Natal (RN)

Tulipas Salvador – Salvador (BA)

Quem estuda ou trabalha com cerveja conhece os períodos históricos em que a presença feminina se fez presente. Algumas publicações mostram que há cerca de 8 mil anos quem cozinhava a bebida eram as mulheres, muito provavelmente pelo fato de ser uma tarefa doméstica, de conhecer especiarias e por ser a bebida considerada alimento.  

Atualmente, vivemos no Brasil um crescimento considerável da cultura cervejeira artesanal, sobretudo da cervejeira caseira. Uma das coisas mais fascinantes nisso é o reconhecimento do papel da mulher nesse meio. O mercado é promissor e estamos cada vez mais envolvidas nos diversos segmentos. Proprietárias de cervejarias, donas de empresas de insumos, diretoras de instituições de ensino, sommelières, mestre cervejeiras, mestres em estilos cervejeiro, escritoras, professoras, pesquisadoras e doutoras no assunto.  

Esse engajamento foi fator determinante no momento da escolha dos parceiros para o projeto da Batom vermelho.

Cervejaria Dádiva tem cerca de duas dezenas de mulheres em seu quadro de colaboradores, incluindo a proprietária. Tem como perfil de negócio o incentivo às mulheres a atividades até então masculinas. A Levteck é uma empresa fundada e liderada exclusivamente por mulheres da área da biotecnologia, especialistas em leveduras de alta qualidade para cervejas, com reconhecimento nacional e internacional.  

Realli Insumos Cervejeiros contribui com o mercado nacional na comercialização de insumos e soluções cervejeiras. Acredita no potencial feminino e é formada por uma equipe de mestre cervejeiras e sommelières que contribuem com trabalho, conhecimento e expansão do mercado.  

Label Sonic Impressões também conta com o publico feminino no seu quadro de funcionários. Aposta na cerveja artesanal como um novo tipo de indústria e acredita que o papel da mulher é fundamental neste espaço, como sempre foi historicamente, contribuindo e fortalecendo a cultura cervejeira.  

Somos muitas e esse movimento só cresce. As salas de aula dos cursos ofertados em diversas cidades do país estão cada vez mais cheias. O interesse em especialização, viagens e visitas às fábricas são constantes. Participar de concursos também virou assunto de interesse. E o vencedor do reality show cervejeiro mais conhecido do país, em 2018, foi uma mulher, que teve sua receita de Berliner Weisse escolhida entre centenas de amostras enviadas para a seleção e está sendo comercializada pela Einsenbahn.   

É bacana acompanhar o interesse feminino na produção cervejeira. É gratificante ver que cada vez mais o espaço no mercado nacional se expande. É importante ver que o papel da mulher nesse meio se destaca por meio do comprometimento e competência em tudo que envolve esse líquido tão desejado por nós.

Que venham mais batons vermelhos, de todas as cores!

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